PORTAL BANDA KU - BRASIL E AMÉRICA DO SUL

Google
 
Onde você encontra a orientação técnica que procura



(c) 2003-2010 G. Paiva Ass. e Cons. Ltda
Edição e Manutenção: Geraldo Paiva
Última atualização: 17.04.2010



COMO AJUSTAR O ÂNGULO DE AZIMUTE, O ÂNGULO POLAR E O OFFSET NO CABEÇOTE POLAR
PRELIMINARES

Diferentemente de uma antena fixa, cujo apontamento é feito através do ajuste dos ângulos de azimute (AZ) e de elevação (EL), a antena destinada a rastrear todos os satélites na faixa de órbita com visibilidade local segue um procedimento próprio.

Primeiramente, ao conjunto de antena se adiciona um cabeçote a que se denomina polar e um acionador da antena, braço atuador ou atuador linear. Em outro página são mostrados os componentes de um sistema de rastreamento da órbita geoestacionária. Não serão considerados aqui, portanto.

A primeira providência que se exige no ajuste de uma antena, para que visualize os satélites na órbita, é colocá-la direcionada para o norte verdadeiro, norte geográfico. Na figura mostrada abaixo pode-se verificar que parte da antena deve ficar apontada para o norte verdadeiro. Apontar para o norte verdadeiro é o mesmo que colocar a antena na azimute zero.

AJUSTE DA ANTENA NO AZIMUTE ZERO

Há duas formas de se localizar o azimute zero: ou através da indicação do norte magnético de uma bússola, compensando-se a declinação magnética do local da instalação, ou através do uso da direção de apontamente de um conhecido satélite, do qual já se recebe normalmente sinal.

No caso de se apontar para um determinado satélite e receber o seu sinal, marca-se a direção desse satélite através de um ponto a tinta no pedestal. Faz-se uma proporção entre o perímetro do tubo-pedestal, medido em mm ou cm, e a diferença de ângulo da posição do satélite sintonizado e zero graus. Ou seja, se podemos apontar a antena para um satélite posicionado a 70 graus oeste e se conhecemos qual foi o ângulo de azimute dessa posição, por exemplo 283 graus, fazemos uma regra de três, da seguinte forma e com os seguintes dados (hipotéticos):

Perímetro do tubo pedestal de diâmetro externo, por exemplo, de 89 mm = Pi x D = 3.14 x 89 mm = 279 mm

Giro de azimute de uma antena no pedestal = 360 graus

Azimute de apontamento do satélite posicionado em 70 graus oeste: 283 graus

Giro da antena para levá-la a azimute = zero graus = 283 graus

Regra de três:  360 graus está para 279 mm, assim como 283 graus está para "x".  Nesse caso, o valor inteiro de "x" é 218 mm.

Prepara-se uma fita de 218 mm de comprimento e abraça-se o tubo-pedestal, a partir da marcação de azimute 283 graus, com afita. Esse novo ponto de marcação é o de azimute igual a zero. Basta girar o cabeçote polar no tubo-pedestal até essa nova marca que a antena estará apontando para o azimute zero (azimute 360 graus).

Também se pode girar a antena no sentido contrário, pela diferença 279 mm - 218 mm, o que dá 60 mm. Nesse caso, a fita preparada deve ter 60 mm e não 218 mm.







AJUSTE DO ÂNGULO POLAR NO CABEÇOTE

Pode-sebservar na figua acima que o cabeçote tem um parafuso de ajuste do ângulo polar. O ângulo polar é numericamente igual à latitude do local de instalação da antena. No caso da figura, 10 graus, ou seja, a antena está em uma localidade cuja latitude é 10 graus Sul. Por isso o apontamento da antena é para o NORTE. Se o local da antena fosse 10 graus Norte, a antena, no seu azimute zero, deveria apontar para o SUL. O ângulo "letra grega rô" na figura de 10 graus é aquele que o eixo polar faz com a horizontal. O uso de um transferidor preparado ou de um inclinômetro permite ajustar o ângulo polar no cabeçote. Aperta-se a porca do parafuso de ajuste do ângulo polar.

AJUSTE DE ÂNGULO OFFSET

Um cabeçote polar corretamente projetado e fabricado tem a possibilidade de receber o ajuste de offset, essencialmente necessário ser feito, na medida em que a latitude do local da antena cresce para o Sul (ou para o Norte, no hemisfério norte). O ângulo offset (ou de compensação, ou de declinação),  mostrado na figura (letra grega "delta"),  varia de acordo com a latitude e pode ser obtido na Tabela abaixo. É o ângulo offset que possibilitará a antena visualizar os satélites mais precisamente, quando aponta-se no seu movimento para a faixa visível da órbita geoestacionária. Na figura acima, o ângulo offset é feito entre o eixo polar e a base da antena. Conhecido o ângulo de offset a ser aplicado no ajuste, corta-se um gabarito em plástico rígido ou madeira e insere-se  o gabarito entre o eixo polar e a base da antena. Aperta-se a porca do parafuso de ajuste do ângulo de offset.




A Tabela acima é uma cortesia da http://www.geo-orbit.org/sizepgs/decchartp.html, em cujo site outras informações podem ser obtidas sobre o ajuste de cabeçote polar.

A primeira  coluna da Tabela acima mostra a latitude, em variação inteira de uma unidade. A segunda coluna dá o correspondente ângulo de declinação, offset ou compensação. As colunas se repetem até para a latiude de 90 graus. Para o ajuste da figura, o ângulo de declinação ou offset a ser aplicado de forma correta é de 1.76 graus.

EFEITOS DO INCOR RETO AJUSTE DO ÂNGULO DE DECLINAÇÃO (OFFSET)

O segredo do sucesso na captação de todos os satélites na faixa de órbita visível do local de instalação, numa antena móvel, montada em um cabeçote polar, é o correto ajuste do ângulo de declinação (offset), quanto mais o local de instalação da antena tende para a latirude 90 graus Sul (ou Norte), a depender ho hemisfério do local.

Óbvio é que isso não é tudo. O exato alinhamento da antena com o norte verdadeiro e o exato ajuste do ângulo polar, no cabeçote são igualmente necessários e importantes. Mas, a compreensão do efeito do correto ajuste do ângulo de declinação é importante. As figuras que são estampadas abaixo mostram o efeito do correto ou incorreto ajuste do ângulo de declinação (offset).

ÂNGULO DE DECLINAÇÃO CORRETO
Quando o ajuste de ângulo de declinação é correto, a antena, na sua busca de alinhamento com cada satélite, percorre uma órbita próxima da órbita geoestacionária e possibilita que o sinal de cada satélite chega satisfatoriamente na mesma. Veja, na Figura 1, a linha tracejada como fica muita próxima da linha contínua, onde estão os satélites posicionados.

EXCESSO DE AJUSTE DO ÂNGULO DE DECLINAÇÃO (OFFSET)
Quando o ajuste de ângulo de declinação é excessivo, maior que o da Tabela, a antena, na sua busca de alinhamento com cada satélite, percorre uma órbita afastada da órbita geoestacionária e impossibilita que o sinal de cada satélite chegue satisfatoriamente na mesma. Veja, na Figura 2, a linha tracejada como fica algo afastado da linha contínua, onde estão os satélites posicionados.

INSUFICIÊNCIA DE AJUSTE DO ÂNGULO DE DECLINAÇÃO (OFFSET)
Quando o ajuste de ângulo de declinação é insuficiente, menor que o da Tabela, a antena, na sua busca de alinhamento com cada satélite, percorre uma órbita afastada da órbita geoestacionária e impossibilita que o sinal de cada satélite chegue satisfatoriamente na mesma. Veja, na Figura 3, a linha tracejada como fica algo afastado da linha contínua, onde estão os satélites posicionados.

AJUSTE DO DO LNBF PARA CASAR-SE COM O PLANO DE POLARIZAÇÃO DO SINAL

Nas antenas móveis, montadas em cabeçote polar, a sonda vertical do LNBF deve apontar para 12 horas na antena. Assim, ajusta-se o LNBF com a sonda nessa direção e faz o seu travamento. O mesmo procedimento é válido para as antenas de motor H-H, assunto tratado em outra página.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os cabeçotes que se utilizam para mover uma antena, sobretudo as de recepção de banda C, cujos diâmetros são maiores, obedecem ao princípio acima. Alguns deles são universais, corretamente projetados, dispõem de facilidade de ajuste do ângulo de declinação e podem ser usados normalmente em quaisquer latitudes,  desde que a faixa de ajuste assim o permita. No entanto, muitos projetam pessoalmente cabeçotes sem conhecer alguns detalhes que devem ser considerados e a antena passa a operar em desequilíbrio no seu percorrer a órbita. Ou seja, visualiza alguns satélites e outros não.

O afinamento do ajuste, para melhor receber os sinais de satélites em toda a órbita na faixa visível, deve ser repetido tantas vezes, após o alinhameto inicial, para que se consiga o melhor desempenho. Mesmo depois de definido o azimute, é interessante repassar o ajuste, testando-se a recepçao com variações em frações de graus para a esquerda ou para a direita, até receber-se o máximo de sinal nos satélites da extremidade. Também, o ajuste do ângulo polar deve ser repetido, frações de grau para mais ou para menos, para buscar-se o melhor sinal dos satélites. O mesmo pode ocorrar com o ajuste de declinação.
Tabela de Declinação ( Offset)